sexta-feira, 27 de agosto de 2010

10 anos (L)

É incrível a forma como nos conhecemos, o quanto a escola dos Casais do Campo nos fez aproximar um do outro. Lembro-me ainda de que a partir do momento em que entro numa porta castanha, podre, pequena e uma professora de nome Graciete me coloca numa carteira ao lado de uma rapariga alta, de puxos, e de óculos, que a minha vida a nível social se modificou. Chamava-se Liliana Raquel Gomes Vilão. Eu sentia que precisava de conviver, de me dar bem com uma rapariga divertida, alegre e faladora como tu. O primeiro ano escolar passa e a amizade, brincadeiras, conversas entre nós nunca tem fim. E quando o segundo ano escolar regressa, cada dia naquela escola era uma batalha. Mas naquela turma ninguém tinha brincadeiras como nos tínhamos, ninguém como eu tinha a capacidade de escrever cartas a esta rapariga, do género “ queres fazer sexo comigo?” enfim, eram brincadeiras de crianças, de pura intimidade. O pior está a chegar, o 3º ano aparece e a terrível notícia por parte dos meus pais é divulgada devido a problemas pessoais onde tive que mudar de escola, conhecer novas pessoas, novos ares, enfim voltar a viver uma vida nova. O tempo passou, e a vida parecia desaparecer, quase nem fazia sentido, já nem vivia apenas sobrevivia. Viajar e viajar para apagar todo este pesadelo da minha cabeça, pesadelo que perdurou durante algum tempo. Numa viagem, numa longa viagem, uma grande luz, em frente, uma luz radiante que a pouco e pouco ia desaparecendo lentamente. Procurei incansavelmente, jurando que a iria encontrar, pois seria a minha salvação. Mas infelizmente acabo por desistir, mas nesse instante um raio enorme cai sobre meus pés. Afinal essa luz não fugia não desaparecia, apenas era uma luz tímida, envergonhada mesmo, que apenas não tinha coragem de se mostrar. Voltou a esconder-se, a timidez vencia. Vários conflitos se sucederam, e quando ficava chateado contigo sentia-me mal então imaginam quando tivemos aquele tempo sem falar devido a problemas de criancinhas. Eram dias, noites que nunca tinham fim, e cada minuto, segundo que passava eu via a nossa amizade a divergir-se cada vez mais. Mas felizmente tudo teve um fim, tudo passou, uma nova vida entre nos aconteceu, uma nova amizade renasceu e hoje sinto-me uma pessoa feliz por saber que posso falar contigo, por saber que posso rir contigo, por saber que posso sair contigo para os baloiços, por saber que posso sair contigo para festas e até por saber que te engasgas a beber água ao pé de mim. São estas pequenas coisas que fazem a diferença, e como tudo na vida, tem um inicio e um fim, mas independentemente do que acontecer no futuro, só me resta em mente os bons episódios que passamos juntos e que entre nos aconteceu. A vida que partilhamos juntos e até que vivemos juntos, nunca irá ser falada a ninguém, tenho a certeza que a tinta que gastei neste desabafo, não foi em vão, valeu a pena porque há muito que precisava de te dizer isto, de mostrar realmente o que sinto por ti, pura amizade. Sempre lutei para que a nossa amizade nunca chegasse ao fim, e se consegui não vou desistir, “ será que a amizade de amigos máximos poderá renascer novamente como renasceu á 10 anos atrás? “

Adoro-te Liliana <3

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